sábado, 5 de maio de 2012


Relatório do Seminário "Índios em Sergipe e índios Xokó (hoje)"



Foi realizado pelo Grupo de Pesquisa Culturas, Identidades e Religiosidades (GPCIR), ligado do ao Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe, com coordenação do Prof. Dr. Antônio Lindvaldo Sousa (DHI/UFS). O evento ocorreu nos dias 19 e 20 de Abril de 2012 na UFS no campos de São Cristovão e abordou a temática sobre os índios em Sergipe, especialmente os Xokó, com o objetivo de dar contribuição e continuidade ao trabalho que antropólogos e outros pesquisadores das ciências humanas tem feito. Assim, o seminário apresentou as pesquisas já efetuadas e aquelas em desenvolvimento sobre os índios em Sergipe.
Após a apresentação da comissão organizadora e de uma fala introdutória do prof. Dr. Antônio Lindvaldo, sobre a importância do estudo dos índios em Sergipe para entendermos a nossa História, a prof. Msc. Beatriz Goes Dantas, discorreu sobre o índio em Sergipe e apresentou o capítulo do livro "Textos para História de Sergipe, de sua autoria. A autora é umas das percursoras no estudo do modo de ser índio e umas das referências na área em Sergipe. Em sua apresentação, apesar do pouco tempo, a professora conseguiu chamar nossa atenção para o estudo da temática, abordou informações relevantes e conseguiu distribuir sua fala, utilizando de bastante slides, com mapas e imagens. 
Ela discorreu sobre a percepção dos europeus quando aqui chegaram, a diferenciação, "Tapis x Tapuais",  e a errônea caracterização dos Tupinambás como sendo o único povo indígena que existia em nosso estado. Na verdade, exitem diversidades linguísticas, culturais, um verdadeiro mosaico de povos. Dentre os que habitavam nosso território entre os séculos XVI e XX estão os Aramuru, Boimé, Karapóto, Kaxagó, Kiriri (tapuia), Xokó e Tupinambá. Em sua fala os índios tupinambás tiveram destaque, pois, eles foram predominantes no litoral da costa no território onde hoje é o estado de Sergipe. 
A professora também tratou sobre o encontro do europeu com o índio em Sergipe e os constantes conflitos.Os índios foram usados como mãos de obra de trabalho para extrair o pau-brasil. Além disso, tratou também sobre os projetos coloniais, a busca de riquezas, a primeira tentativa de colonização em 1575 pelos jesuítas, a catequese, as missões, o espaço de cristianização que era a tentativa de transformação dos índios pagãos em cristãos, a segunda tentativa e a definitiva colonização em 1590 que foi o marco da conquista e o desaparecimento dos índios, com a lei de Terras de 1850. 
A segunda apresentação da noite do dia 19, foi a de Pedro Abelardo, "A catequese e a Civilização dos índios no Império", que explicou como foi a catequese e a civilização dos índios durante o Império, o motivo do desaparecimentos dos aldeamentos e o projeto Bonifácio para índios e escravos. A última palestra da noite, foi a de Witney Fernandes que teve como objetivo identificar as reações dos índios de Pacatuba durante o processo de apropriação de suas terras. 
Na segunda noite, dia 20, a primeira palestra foi a de Avelar Araujo Santos Junior com o tema, "O Movimento Indígena e a Atualização de Suas Pautas de Luta" em que nos mostrou através de dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o panorama atual da população indígena brasileira e seus territórios. Assim, segundo os dados mostrados pelo    Avelar Araujo, são 225 povos indígenas que falam cerca de 180 línguas e nos espaços urbanos vivem mais de 315 mil índios, e que apenas 12% do território nacional é habitado por índios. Além disso, ele discorreu sobre o histórico da resistência indígena, a demarcação de terras e o processo de organização do movimento indígena. 
Logo em seguida, a última palestra foi a do ex-cacique Apolônio Xokó. Com a experiência de quem vivenciou e vivencia a luta dos índios da comunidade Xokó pela sobrevivência de sua cultura e pela posse das terras, em um depoimento denso nos contou sobre as dificuldades pela posse das terras, chegando até mesmo a dizer que se colocou em várias situações de risco. Em seu discurso, não dispensou a gratidão que ele e toda comunidade tem pela Universidade Federal e os professores que ajudaram a conseguir suas terras. 
O Seminário, com um todo, foi importante para entendermos a situação dos índios em Sergipe, assim como sua história. Percebemos, que a comunidade indígena dos Xokó, sentem as consequências do processo devastador que foi a colonização para os índios. Além disso, tivemos a oportunidade de conhecer os estudos que foram e ainda estão em desenvolvimento. Espaços assim, sempre são necessários, a fim de que possamos nos inserir nas discussões atuais sobre os índios e nos proporciona entender de que forma eles estão presentes em nossa sociedade.







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