Relatório
do Seminário "Índios em Sergipe e índios Xokó (hoje)"
Foi
realizado pelo Grupo de Pesquisa Culturas, Identidades e Religiosidades
(GPCIR), ligado do ao Departamento de História da Universidade Federal de
Sergipe, com coordenação do Prof. Dr. Antônio Lindvaldo Sousa (DHI/UFS). O
evento ocorreu nos dias 19 e 20 de Abril de 2012 na UFS no campos de São
Cristovão e abordou a temática sobre os índios em Sergipe, especialmente os
Xokó, com o objetivo de dar contribuição e continuidade ao trabalho que
antropólogos e outros pesquisadores das ciências humanas tem feito. Assim, o
seminário apresentou as pesquisas já efetuadas e aquelas em desenvolvimento
sobre os índios em Sergipe.
Após a apresentação da comissão organizadora e de
uma fala introdutória do prof. Dr. Antônio Lindvaldo, sobre a importância do
estudo dos índios em Sergipe para entendermos a nossa História, a prof. Msc.
Beatriz Goes Dantas, discorreu sobre o índio em Sergipe e apresentou o capítulo
do livro "Textos para História de Sergipe, de sua autoria. A autora é umas
das percursoras no estudo do modo de ser índio e umas das referências na área
em Sergipe. Em sua apresentação, apesar do pouco tempo, a professora conseguiu
chamar nossa atenção para o estudo da temática, abordou informações relevantes
e conseguiu distribuir sua fala, utilizando de bastante slides, com mapas e
imagens.
Ela
discorreu sobre a percepção dos europeus quando aqui chegaram, a diferenciação,
"Tapis x Tapuais", e a errônea caracterização dos Tupinambás
como sendo o único povo indígena que existia em nosso estado. Na verdade,
exitem diversidades linguísticas, culturais, um verdadeiro mosaico de
povos. Dentre os que habitavam nosso território entre os séculos XVI e XX estão
os Aramuru, Boimé, Karapóto,
Kaxagó, Kiriri (tapuia), Xokó e Tupinambá. Em sua fala os índios tupinambás
tiveram destaque, pois, eles foram predominantes no litoral da costa no
território onde hoje é o estado de Sergipe.
A
professora também tratou sobre o encontro do europeu com o índio em Sergipe e os constantes conflitos.Os índios foram usados como mãos de obra de trabalho para extrair o pau-brasil. Além disso, tratou também sobre os projetos
coloniais, a busca de riquezas, a primeira tentativa de colonização em 1575
pelos jesuítas, a catequese, as missões, o espaço de cristianização que era a
tentativa de transformação dos índios pagãos em cristãos, a segunda tentativa e a definitiva colonização em 1590 que foi o marco da conquista e o desaparecimento
dos índios, com a lei de Terras de 1850.
A segunda
apresentação da noite do dia 19, foi a de Pedro Abelardo, "A catequese e a
Civilização dos índios no Império", que explicou como foi a catequese e a
civilização dos índios durante o Império, o motivo do desaparecimentos dos
aldeamentos e o projeto Bonifácio para índios e escravos. A última
palestra da noite, foi a de Witney Fernandes que teve como objetivo identificar
as reações dos índios de Pacatuba durante o processo de apropriação de
suas terras.
Na
segunda noite, dia 20, a primeira palestra foi a de Avelar Araujo Santos Junior
com o tema, "O Movimento Indígena e a Atualização de Suas Pautas de
Luta" em que nos mostrou através de dados do IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística), o panorama atual da população indígena brasileira e
seus territórios. Assim, segundo os dados mostrados pelo Avelar
Araujo, são 225 povos indígenas que falam cerca de 180 línguas e nos espaços
urbanos vivem mais de 315 mil índios, e que apenas 12% do território nacional é
habitado por índios. Além disso, ele discorreu sobre o histórico
da resistência indígena, a demarcação de terras e o processo de
organização do movimento indígena.
Logo em
seguida, a última palestra foi a do ex-cacique Apolônio Xokó. Com a experiência
de quem vivenciou e vivencia a luta dos índios da comunidade Xokó pela
sobrevivência de sua cultura e pela posse das terras, em um depoimento denso
nos contou sobre as dificuldades pela posse das terras, chegando até mesmo a
dizer que se colocou em várias situações de risco. Em seu discurso, não
dispensou a gratidão que ele e toda comunidade tem pela Universidade Federal e
os professores que ajudaram a conseguir suas terras.
O
Seminário, com um todo, foi importante para entendermos a situação dos
índios em Sergipe, assim como sua história. Percebemos, que a comunidade
indígena dos Xokó, sentem as consequências do processo devastador que
foi a colonização para os índios. Além disso, tivemos a oportunidade de
conhecer os estudos que foram e ainda estão em desenvolvimento. Espaços assim,
sempre são necessários, a fim de que possamos nos inserir nas discussões atuais
sobre os índios e nos proporciona entender de que forma eles estão presentes em
nossa sociedade.

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