Este texto tem como objetivo
discutir as semelhanças existentes entre o processo de modernização da cidade
de Sorocaba (SP) e de Aracaju (SE) nas primeiras décadas do século XX. Para
tanto, utilizaremos como base o texto do Arnaldo Pinto Júnior, As potencialidades da história local para a
produção do conhecimento em sala de aula: o enfoque do município de Sorocaba
e os textos do livro CESAD do prof. Dr. Antônio Lindvaldo Sousa sobre a
modernização nas primeiras décadas do século XX.
Em todo seu texto, Júnior
(2001) trata da importância do estudo da História Cultural para o ensino de História.
O autor também discute algumas práticas instituídas no ensino de História no
Brasil que reproduzem uma visão tradicional da disciplina. Porém, nosso enfoque
neste texto, é perceber as semelhanças entre os processos de modernização entre
as duas cidades. Em Sorocaba, a ideia de modernidade estava vinculada na cidade
desde 1903 por alguns setores sociais que proclamaram seu avanço através da
denominada Manchester Paulista. Ela
simbolizava um salto qualitativo na produção econômica na produção econômica da
cidade, em suas relações sociais e na importância política e cultural de seus
habitantes.
Assim a cidade de Sorocaba
deixava de lado seu passado “decadente”, representado pelas feiras de animais e
instalava-se unidades do ramo têxtil a partir da década de 1880. As elites
econômicas e intelectuais da cidade, seguindo a tendência liberal,
evolucionista e progressista começaram a defender seu centro urbano como espaço
de prosperidade, em que as mais modernas práticas industriais eram aplicadas
para o bem dos habitantes. Mas, este olhar que o autor chama de “neoliberal” sob
a sociedade, construiu não só a Manchester
Paulista, símbolo da modernização, como também reafirmou a discriminação, o
preconceito social e afastou os negros e muitas vezes até o trabalhador
nacional.
Em Aracaju, esta
modernização, que chegou com as fábricas de tecidos, também trouxe os seus
revezes. Este discurso modernizador implantado pela elite, só beneficiou a
própria elite. Os pobres e negros, principalmente aqueles que vieram do
interior em busca de trabalho na capital “promissora”, sentirem na pele as
consequências deste processo modernizador. Aqueles em sua maioria, que
trabalhavam nas fábricas de tecidos, não tinham direitos trabalhistas, sofriam
as imposições do patrão, e trabalhavam horas por péssimos salários. Percebemos
que este discurso modernizador, assim como em Sorocaba, na prática só serviu
aos interesses das elites e trouxe consigo seus revezes.
