sexta-feira, 16 de julho de 2010

Agradecimentos


Termino por aqui a minha abordagem sobre os índios e espero que tenham aprendido algo sobre nossos primeiros habitantes, assunto que infelizmente é colocando em segundo plano nas escolas, sendo considerado de menor valor do que outros. Espero que tenham gostado.


Referências:
In: SOUSA, Antônio Lindvaldo. Temas de História de Sergipe I. São Cristovão: Universidade Federal de Sergipe, 2007, p. 39-76.
Textos de Beatriz Goes Dantas do livro "Temas de História de Sergipe" .


Obrigada!

As reações dos índios

Os índios não aceitaram passivamente a violência. Por exemplo, lutas, fugas e ataques a cidade de São Cristovão em 1751 e 1763, são algumas das formas de expressão da ressistência dos índios de Sergipe. Utilizaram inclusive, vias administrativas, onde recorriam às autoridades na tentativa de dirimir conflitos através da intermediação do Estado.

Os fazendeiros e a negação da existência dos índioss


Ao longo dos séculos, as terras dos índios, juntamente com a mão-de-obra indígena despertaram o interesse dos fazendeiros. A posse de terras, cuja propriedade coletiva era assegurada aos índios por leis, gerava constantes atritos com os senhores de engenho e criadores de gado vizinhos das aldeias. Queixavam-se os índios que o gado destruía suas roças, que os brancos invadiam suas terras ou não pagam o arrendamento quando exploravam. Já os índios eram acusados pelos fazendeiros de serem ébrios, arruaceiros e preguiçosos e com isso insinuavam que era um desperdício deixar as terras nas mãos deles. Com isso eles tentaram extinguir os aldeamentos, transferindo os índios de uma aldeia para outra. Dessa forma, declara-se a Lei das Terras(1850), que dizia que os índios que estivessem há muito tempo em contato com os civilizados, perdiam o direito às terras que habitavam. Eles alegavam que após um longo período de mestiçagem ( mistura das raças ) e aculturação ( mudança de culturas em contato ), os índios se tornavam iguais aos nacionais, deixavam de ser índios. Então, são extintos vários aldeamentos em Goiás, São Paulo, Pernambuco, Ceará, Alagoas e aqui em Sergipe. Desse modo, as autoridades passam a negar a existência dos índios.
Foi extinto a Diretoria Geral dos Índios em 06 de abril de 1853. A consequência foi que as aldeias foram se transformando em propriedades particulares dos que podiam comprar ou se apropriar por outros meios. Podemos concluir que, a mestiçagem que tinha sido incentivada desde o século XVIII como parte da política de integração dos índios, transformava-se no artifício utilizado pelos brancos para descaracterizar os habitantes das ladeias como índios, servindo de pretexto para espoliação das terras indígenas.

Os índios no século XIX

No século XIX, havia índios dispersos em vários pontos de Sergipe, no entanto, eram nos aldeamentos que se concentravam o maior número deles. Reconhecia-se a existência das seguintes povoações indígenas: Aldeia de Água Azeda, Missão de Nossa Senhora do Carmo de Japaratuba, Missão Félix de Pacatuba, Missão de São Pedro da Folha e Vila do Tomar do Geru. No século XIX, eles praticavam a agricultura de subsistência, desenvolviam atividades de pesca, relevantes sobretudo nas aldeias sanfranciscanas, pela proximidade do rio. Aprenderam nos aldeamentos vários ofícios, e se tornaram sapateiros, alfaiates, ferreiros, carpiteiros, carpinas, serradores, pedreiros etc. Quanto as mulheres, praticavam a cerâmica, panos de algodão, fabricados pelas louceiras e pelas fiandeiras indígenas. Os índios se inseriram no sistema regional como assalariados , eram tangedores de gado ou trabalhadores nas roças mediante pagamento, ou ainda forneciam produtos artesanais e agrícolas.
As relações com os negros se acentuaram resultando, inclusive, em casamentos nos mistos. Dessa forma, o modo de vida dos índios aldeados no século XIX, é resultante de um longo contato com os regionais, moldado pela estrutura com da aldeia missionária.





Os índios e o processo de colonização

Oi pessoal, como vimos no texto passado os índios que ocuparam Sergipe não eram todos iguais, não viviam todos do mesmo modo, nem falavam todos a mesma língua. No entanto, para sabermos o que acontece com os índios antes e depois de 1500, é necessário saber quem eram os portugueses e o que queriam.
A sociedade portuguesa, principalmente a burguesia, tinham como ambição o lucro comercial proveniente da circulação de mercadorias que vinham do Oriente e tinham larga aceitação na Europa, como o cravo e a canela. Assim, com a abundância do pau-brasil, atraiu os franceses para o atual território de Sergipe, e que desde o início fizeram alianças(escambo) com os Tupinambá para explorar a riqueza. Era o índio que derrubava a madeira, desbastava, cortava, transportava para os navios. A idéia que muitos de nós conhece, que os índios são preguiçosos, surge mais tarde quando o europeu tenta incorporar o índio a agricultura, tarefa essa que era realizada pelas mulheres nas cultura indígena.
A colonização marca uma mudanças significativa nas relações entre índios e europeus. Além do uso contínuo da exploração do trabalho do índio, implicava na ocupação das terras pelos portugueses, através do desenvolvimento da agricultura e outras atividades que entravam em choque com os interesses dos índios. Assim, o índio foi utilizado como escravo reagindo a essa submissão e entrando várias vezes em conflitos com os europeus. Sendo a Guerra Justa, umas das formas dos colonos adquirirem escravos de maneira legal, pois a idéia em de que os índios que pegam em armas contra os portugueses deviam ser mortos e, se aprisionados, tornavam-se escravos. Porém antes de Crisitovão de Barros chegar a Sergipe, em 1575 o padre Gaspar Lourenço e o irmão Salônio, vieram da Bahia com a finalidade de catequisar os índios. Retratando as andanças dos Jesuítas, temos um importante documento, a Carta de Tolosa, que mostra do ponto de vista dos portugueses, as atuações destes entre os índios e os conflitos. Entretanto, o trabalho de catequese demandava tempo e foi bruscamente interrompido pela ação do governador Luís de Brito e Almeida. E em 1590 se deu a conquista de Sergipe por Cristovão de Barros e o genocídeo e o etnocídeo da população indígena.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A diversidade dos índios e os Tupinambá


Sergipe foi ocupado por vários povos indígenas, que tinham maneiras próprias de organizar-se para viver em sociedade. As sociedades indígenas diferem entre si pelos seus aspectos socias, culturais, linguísticos e históricos. Essa diversidade pode ser observada entre os índios que ocuparam o atual território de Sergipe. Por exemplo, os Tupinmbá, os Kiriri, os Kaxagó, os Aramuru,etc. Os tupinambá falavam a língua Tupi-Guarani do tronco linguistico Tupi, enquanto os Kiriri falavam a língua Kiriri do tronco linguístico Macro-Jê, mostrando assim que possuem uma diversidade e que não existe 'os modos de ser do índio' e sim 'um modo de ser do índio'. Portanto, não devemos generaliza-los e achar que todos os índios são iguais e que possuem a mesma cultura. Por exemplo, existe o problema da Tupimania, que é na verdade apresentar os traços culturais dos Tupinambá pra outros índios no Brasil, ignorando essa diversidade cultural que existe entre os povos indígenas. Em parte existe este problema, porque os Tupinambá, dentre os índios que ocuparam Sergipe, foram os mais numerosos e os mais espalhados, além de que, as referências existentes em Sergipe dizem respeito aos Tupinambá. Pois, estes entraram logo em contato com os colonizadores que o descreveram, e hoje dispomos de várias fontes dos séculos XVI e XVII que falam sobre seu modo de vida.

Referência da imagem: http://www.acritica.com.br/Fotos/noticiario/125678.jpg, acessado em 15/07/10

O que é cultura?


Como eu já havia dito aqui nos nossos textos, nós iremos estudar um pouco sobre os índios, o que inclui é claro a sua cultura. Mas antes disso, é necessário que saibamos o que é afinal cultura? Por exemplo, Pero Magalhães de Gândavo e Gabriel Soares de Souza, afirmaram que os índios “não têm fé, nem lei, nem Rei”. Estas frases foram escritas por diversos cronistas e viajantes, religiosos e funcionários reais que chegaram ao “velho mundo” a América.

Por que afinal eles afirmaram isso? Precisamos entender que eles pertenciam a outro modo de ser gente, a outra cultura e, por isto, estavam espantados com a diferença do modo de ser dos índios brasileiros. Portanto, cada povo tem sua cultura, seus valores, suas crenças. Assim, o que é comum para um povo pode ser diferente ou incomum para outro. Segundo o professor e doutor em História da Universidade Federal de Sergipe, Antônio Lindvaldo Sousa, estudar cultura é compreender o fazer social dos indivíduos de “carne e osso”, sua experiência cotidiana, onde vários artefatos matérias e imaterias são produzidos. Portanto, os modos diferentes dos seres vivos é o que denominamos cultura.

Referência da imagem: www.moderna.com.br/.../datas/images/indio5.jpg, acessado em 15/07/10


sábado, 10 de julho de 2010


Olá pessoal!! Ao decorrer dos meus textos, vou falar a respeito dos índios em Sergipe, e os acontecimentos a estes envolvidos, principalmente, no século XIX. Espero que gostem de saber mais sobre nossos primeiros habitantes, que é um assunto tão mal esplanado, principalmente nas escolas. Enfim falarei sobre o modo de ser desse povo, o que aconteceu com eles antes e depois da colonização de Sergipe.
E até a próxima postagem.




Beijos,
Iza Guimarães.